Setembro Amarelo chama atenção para o tratamento contra a esquizofrenia

[Teresina] – A esquizofrenia é um dos transtornos mentais mais graves e que acomete mais de 2 milhões de brasileiros. Dados da Organização Mundial da Saúde(OMS) estimam o risco de suicídio ao longo da vida entre 4 a 10%. Sem uma causa específica definida e sem cura, a patologia tem tratamento gratuito na Assistência Farmacêutica, o que pode minimizar esses riscos.

De acordo com a psiquiatra Kriger Olinda, a doença compromete, de uma forma geral, na vida do indivíduo, tanto social, como laboral, nos relacionamentos interpessoais e familiares, daí a necessidade de ser abordada no “Setembro Amarelo”, mês de prevenção do suicídio. “É importante procurar um profissional o mais cedo possível, para que a doença não traga esse desfecho grave, como o suicídio”, alerta.

Não há cura para a doença, mas um tratamento eficaz e contínuo garante qualidade de vida ao paciente, como os mais de 2 mil atendidos na Farmácia, uma das terapias com maior número de usuários. De acordo com gerente clínico, o farmacêutico Wisllan Santos, “são pacientes com diagnósticos mais graves, que evoluíram para um grau da doença que não é mais controlado pelos antipsicóticos típicos, geralmente dispensados nos CAPS(Centro de Atenção Psicossocial)”, explica. Na unidade, são dispensadas 15 apresentações de antipsicóticos atípicos, fármacos de uma tecnologia mais nova, que têm preço agregado mais elevado e que são disponibilizadas em dez unidades de atendimento, em Teresina e no interior do Estado.

A maioria dos pacientes faz uso de uma só medicação, vez que os protocolos terapêuticos privilegiam ao tratamento monoterápico. “Caso não tenha eficiência, é que se agrega a outros medicamentos”, mas sempre acompanhando a evolução da terapia, eficácia e reações adversas, como alterações de comportamento, rejeição e síndromes metabólicas, numa interface entre médico e família também.

“A gente faz uma escuta qualificada e verifica a ocorrência de reações adversas ao medicamento, assim como a dificuldade de adesão à terapia, que é muito comum”, por isso, a importância do acompanhamento do farmacêutico, que integra a equipe multidisciplinar no atendimento, que é “melhorar a terapia, diminuindo ao máximo as reações adversas e proporcionando uma qualidade de vida, que é isso que se espera do tratamento”.

Apesar de ocorrerem reações, como ganho de peso, variações nas taxas de glicemia, colesterol, e doenças concomitantes, como diabetes, hipertensão, insuficiência renal, Wisllan afirma que o paciente bem acompanhado clinicamente, usando a medicação no período adequado, observando as reações adversas, pode ter qualidade vida. “Com os medicamentos, muitos pacientes tiveram suas crises, mas trabalham, têm família e vivem numa qualidade de vida análoga a qualquer pessoa. Vai depender do grau da doença e dessa efetividade do tratamento”, garante, orientando que o paciente fique atento à alimentação, atividade física e monitoramento dos exames, como hemograma.

A psiquiatra Kriger Olinda ratifica a eficácia do tratamento. “Nós não falamos em cura. Falamos em controle. O indivíduo fazendo o tratamento de forma adequada, ele executa as suas funções, como estudar, voltar a trabalhar, dependendo do subtipo de esquizofrenia. Se a medicação não deu certo, você não vai esperar mais que dois, três meses, você já faz uma troca de medicação. O tratamento é bastante eficaz”.

Ela enfatiza que iniciado o tratamento, em 15 a 20 dias, já se observa resultado. “O paciente passa a apresentar melhoras do quadro, havendo controle e remissão desses sintomas”.

Esquizofrenia

É uma doença grave, bastante heterógena, que não tem uma etimologia definida. No entanto, dois fatores hipotéticos podem estar relacionados: o genético e uma relação muito forte com os fatores estressores. A psiquiatra Kriger Olinda afirma que “é um resultado dessa predisposição genética que o indivíduo tem para desenvolver a doença e o fator estressor como gatilho para que haja a manifestação dos sintomas”.

A doença acomete 1% da população e se manifesta tanto em homens como em mulheres, sendo que “ocorre mais cedo no sexo masculino, geralmente no final da adolescência e início da idade adulta. Em mulheres, um pouco mais tardio, entre os 25, 30 anos”, afirma a psiquiatra.

O diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas. A presença de delírios e alucinações, principalmente as auditivas, de comando ou visuais, que são mais raras, são os mais frequentes.

“Alucinação é uma alteração na senso-percepção do indivíduo, ou seja, nos órgãos de sentidos. Ele passa a ouvir vozes, sem que haja esse estímulo externo. Ele não está ouvindo uma voz de uma pessoa diretamente. Muitas vezes, essas vozes têm conteúdo de comando, que ordena esses indivíduos a fazer alguma coisa, contra a si mesmo ou contra alguém próximo, geralmente da família, que são as pessoas com quem esses pacientes têm maior convivência”, explica Krieger.

O paciente também pode apresentar delírios, que são alterações de um curso do pensamento, afirma. “Uma ideia delirante de que ele é uma entidade divina. Mas, os mais comuns são os delírios persecutórios, onde ele acha que está sendo perseguido, que os vizinhos ou a própria família estão tramando contra ele. O que reforça esse comportamento, muitas vezes, agressivo”. Outro sintoma são ideias de autorreferência, que é achar que as pessoas estão falando ou comentando alguma coisa sobre ele.

Outras alucinações são frequentes, de caráter depreciativo, como comentários, até mesmo xingamento, causando um sofrimento muito grande para o indivíduo. “Por essa razão, pode apresentar episódios de agitação psicomotora, de agressividade, o sono passa a ficar alterado, ele passa a ter insônia. O fato dele não dormir, associado aos sintomas psicóticos, causam um nível de sofrimento muito grande”.

Antes da instalação da doença, alguns comportamentos são observados como isolamento do convívio social, mais tempo no quarto. Não faz mais as refeições com a família. Não participa de atividades, que antes costumava participar. Passa a faltar na escola, na escola, ou no trabalho.

É importante observá-los para que se possa relacioná-los a uma possível relação com algum tipo de transtorno menta, como a esquizofrenia. Paciente ou familiares devem buscar tratamento inicialmente nos CAPS, para o fechamento do diagnóstico.

Já o tratamento pode ser feito na Assistência Farmacêutica, em Teresina e nas unidades no interior. Para mais informações sobre o tratamento, dispensação de medicamentos e documentos necessários para dar entrada no processo, acesse: www.saude.pi.gov.br/guia

Por Graciene Nazareno 


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