Perda súbita do olfato na COVID-19 pode ter recuperação incompleta e mais lenta

[São Paulo] – A primeira parte do estudo pioneiro organizado pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e Academia Brasileira de Rinologia (ABR) entre os médicos brasileiros sobre a perda súbita de olfato no contexto da pandemia da COVID-19 gerou informações novas e relevantes. Foi elaborado um questionário a ser preenchido pelos médicos sobre as características dos pacientes com perda súbita de olfato com início a partir de 01 de fevereiro de 2020. Após dois meses, a ABORL-CCF e a ABR entraram em contato novamente com os médicos participantes para solicitar dados da evolução da perda súbita de olfato e do resultado do teste para COVID-19. Com isso, pode-se avaliar o comportamento das alterações do olfato e comparar pacientes COVID-19 positivos e negativos.

As infecções respiratórias são a segunda causa mais frequente de perda de olfato, conhecidas como hiposmias ou anosmias pós-infecciosas, mas chamou a atenção de todos o aumento em sua prevalência com a pandemia da COVID-19. Normalmente, estes quadros de perda de olfato pós infecciosos costumam recuperar rápida e totalmente em alguns dias. O estudo da ABORL-CCF e ABR mostrou que a perda súbita do olfato causada pelo SARS-CoV-2 é pior que as dos pacientes COVID-19 negativos. Enquanto 70% dos pacientes COVID-19 negativos recuperaram totalmente o olfato, apenas metade dos COVID-19 positivos atingiram este status (Figura 1). E considerando somente os pacientes que conseguiram recuperar totalmente o olfato, os pacientes COVID-19 positivos levaram mais tempo que os negativos. Por fim, nos pacientes COVID-19 positivos, os que apresentaram hiposmia recuperaram mais que os anósmicos.

Estes achados são inéditos e mudaram nossa percepção sobre a perda súbita de olfato pós COVID-19, pois achávamos que seriam perdas transitórias e facilmente recuperáveis. Infelizmente, é mais uma faceta desta nova e traiçoeira doença. Os médicos otorrinolaringologistas devem estar preparados para diagnosticar e tratar adequadamente esta nova demanda de pacientes. Aproveite as lives e aulas sobre olfato disponibilizadas pela ABORL-CCF.

O estudo na íntegra pode ser acessado aqui. A ABORL-CCF e a ABR agradecem imensamente à participação dos médicos que autorizaram a inclusão nesta pesquisa dos dados enviados, além dos que também autorizaram a inclusão de seus nomes nos agradecimentos da publicação. Estamos todos JUNTOS no combate à pandemia!
Diretoria Executiva da ABORL-CCF 2020
Comissão Científica da ABR 2020-2021
Fonte: Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial

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