Protocolo do HC minimiza riscos pós-intubação em pacientes de covid-19

[São Paulo] – As necessidades envolvendo a hospitalização do paciente da covid-19 mais grave afetam diversas áreas da medicina. Cuidados específicos são necessários durante a internação, que podem chegar ao ponto da necessidade de entubação. A partir da entubação, há um longo percurso para que o indivíduo possa voltar ao seu cotidiano, seja na hora de estabilizar o quadro e estar livre da doença, seja no cuidado para não ter possíveis sequelas.

Uma das sequelas esperadas para pacientes que se encontram na fase de pós-extubação é a disfagia orofaríngea (dificuldade ao engolir). A equipe de internação da Divisão de Fonoaudiologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP está fazendo uma pesquisa e acompanhando os pacientes, justamente para a recuperação mais rápida da alimentação.

“Muitas vezes, esses pacientes apresentam alguns sinais que são considerados de risco para o alimento e para o pulmão, complicando um pouco mais essa questão respiratória. Quais são esses sintomas? Tosses e engasgos durante a alimentação, dificuldade para poder engolir, alimento parado na boca”, comenta a dra. Gisele Chagas de Medeiros, chefe da equipe de internação da Divisão de Fonoaudiologia do Instituto Central do HC da FM-USP, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Nesta pesquisa feita no Instituto Central do HC, com relação à disfagia em pacientes com covid-19, a equipe de Fonoaudiologia percebeu que 20% dos pacientes avaliados (mil pacientes até o momento) são de alto risco para disfagia. A doutora explica que pacientes deste tipo exigem uma via alternativa de alimentação e reabilitação mais direta da deglutição.           

O HC tem um protocolo pensado para pacientes entubados em função da covid-19. Todos os pacientes pós-intubação orotraqueal prolongada são encaminhados para o Departamento de Fonoaudiologia para que a questão da deglutição seja avaliada. Ter um protocolo específico ajuda no retorno precoce da alimentação via oral, minimizando outras implicações como as aspirações, presença de pneumonia aspirativa, aumento de custos hospitalares, entre outros. 

A pesquisa continua e a preocupação dos especialistas é com o acompanhamento do paciente na deglutição, mas também que ele coma de forma segura, garantindo sua qualidade de vida. Essa segurança significa não engasgar, não tossir e perceber se o alimento pode trazer algum perigo ao paciente.

Fonte: Jornal da USP

 

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