Pessoas com mais de 60 anos foram as mais atingidas pela COVID-19 nas Américas

[Brasília] – Os sistemas de saúde nas Américas não estão respondendo adequadamente às necessidades das pessoas idosas e devem ser adaptados à luz da pandemia de COVID-19, afirmam especialistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Para o Dia Internacional do Idoso, celebrado no primeiro dia de outubro, o organismo internacional pede atenção integral, integrada e centrada nas pessoas e serviços de atenção primária à saúde que atendam necessidades dos idosos.

Enquanto todos correm o risco de contrair COVID-19, os idosos têm muito mais probabilidade de desenvolver a forma grave da doença; pessoas com mais de 80 anos tem uma probabilidade cinco vezes maior de morrer pela infecção. Um relatório das Nações Unidas sugere que isso pode acontecer devido a condições pré-existentes, que afetam 66% das pessoas com 70 anos ou mais.

Este também é o caso das Américas, onde a maioria das mortes por COVID-19 ocorre entre pessoas com 70 anos ou mais, seguidas de pessoas com idade entre 60 e 69 anos.

Embora as pessoas idosas que recebem cuidados de longo prazo tenham sido as mais atingidas em todo o mundo, nas Américas, onde o atendimento de pessoas idosas é mais provável em casa, o distanciamento físico é um desafio particular.

“A pandemia de COVID-19 realmente enfatizou as necessidades e vulnerabilidades que pessoas idosas têm em relação ao seu direito à saúde”, ressaltou Carissa F. Etienne, diretora da OPAS/OMS. “Muitas vezes não ouvimos suas vozes e perspectivas quando se trata de seus próprios cuidados. Pessoas idosas têm o mesmo direito de cuidar que qualquer outra pessoa. Nenhuma vida é mais valiosa que outra.”

Mesmo antes da pandemia de COVID-19, até 50% das populações com idade mais avançada em alguns países de baixa e média renda não tinham acesso a alguns serviços essenciais de saúde – um problema que a pandemia apenas exacerbou.

Mas não basta garantir que as pessoas idosas tenham acesso aos serviços essenciais de saúde, observou Enrique Vega, chefe da Unidade de Curso de Vida Saudável da OPAS. Os serviços também devem ser adaptados às necessidades específicas destas pessoas.

“Como cada pessoa idosa pode ser afetada pela COVID-19 ou qualquer outra doença, depende de sua saúde física e mental geral. Portanto, os cuidados e o tratamento devem sempre levar isso em consideração”, acrescentou.

Década do Envelhecimento Saudável

O ano de 2020 marca o início da Década do Envelhecimento Saudável, que destaca a necessidade de governos, sociedade civil, agências internacionais, mídia e outros trabalharem juntos para melhorar a vida das pessoas idosas, suas famílias e comunidades, além de combater o preconceito e o estigma.

“Envelhecer com saúde é desenvolver e manter habilidades funcionais que possibilitem o bem-estar no envelhecimento”, disse Vega. “A COVID-19 expôs não apenas a fragilidade das pessoas idosas quanto ao vírus, mas também dos sistemas e ambientes que os apoiam.”

Números 

  • Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos de idade em todo o mundo e nas Américas deve dobrar. Em 2025, pessoas com 60 anos ou mais representarão 18,6% da população total da Região.
  • A América Latina e o Caribe são a segunda região de mais rápido crescimento em termos de pessoas com mais de 60 anos, atrás apenas da África. No entanto, o aumento da expectativa de vida não se traduz em qualidade de vida.
  • O Brasil informou que 76% das mortes relacionadas à COVID-19 durante fevereiro a setembro de 2020 ocorreram entre adultos com 60 anos ou mais.
  • No Peru, pessoas com mais de 70 anos tiveram as maiores taxas de mortalidade por COVID-19 durante março-maio de 2020.
  • Estimativas do Canadá mostram que mais de 80% das mortes por COVID-19 ocorreram em residências ou centros de atenção a longo prazo.

Fonte: OPAS/OMS

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