Segunda onda do coronavírus leva ao retorno de medidas restritivas em São Paulo

[São Paulo] – O agravamento da situação da pandemia de covid-19 levou o governo de São Paulo a anunciar medidas de restrições para conter a segunda onda do coronavírus. Sete regiões encontram-se na fase vermelha, com os setores não essenciais fechados aos fins de semana, feriados e após as 20h, em dias úteis. As demais seguem na fase laranja. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª edição, o professor Paulo Rossi Menezes, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e médico coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, explica qual é a situação atual do Estado e a decisão pela restrição.

Menezes explica que, desde novembro, já se observa um aumento progressivo no número de casos diários, internações e óbitos. As festas de fim de ano foram uma grande preocupação e decidiu-se por determinar a fase vermelha no Natal e Ano Novo para evitar aglomerações. Mesmo assim, os números continuaram a crescer.  Portanto, optou-se por adotar as medidas restritivas em São Paulo, neste mês de janeiro, para tentar conter e reduzir a transmissão do vírus.

Segundo o médico, “nós estamos, claramente, enfrentando o que podemos chamar de segunda onda, já que estamos chegando a números próximos ao máximo que tivemos em julho do ano passado e as projeções para o momento atual sugerem que podemos ultrapassar os números do ano passado”. Ele explica que se, anteriormente, tínhamos um crescimento importante no interior, mas uma redução de casos na Grande São Paulo, hoje o crescimento se dá em todas as regiões do Estado.

Paulo Rossi diz que “é preciso a colaboração de toda a população, ficando em casa, restringindo a circulação” para tornar possível a redução da transmissão do vírus. Há a possibilidade de o Centro de Contingência do Estado até orientar as autoridades a restringir ainda mais a circulação, caso os números continuem a crescer.

A perspectiva é de que, com a vacinação dos grupos prioritários, haja uma redução no número de internações e de óbitos, mas isso só acontecerá daqui a alguns meses. Por isso, é necessário que o isolamento social e as medidas de segurança sanitária continuem.

Uma outra preocupação é a disseminação das novas variantes do coronavírus. Menezes diz que já se tem observado variantes que estão associadas a uma maior transmissão aqui no Brasil, em Manaus, e também no Reino Unido e na África do Sul. “Foi identificada na cidade de São Paulo a presença da variante do Reino Unido e é uma preocupação que isso contribua com uma maior velocidade de transmissão”, afirma.

Felizmente, até o momento, tudo indica que essas variantes também são sensíveis aos anticorpos produzidos pelas vacinas existentes, explica o professor. “Esperamos que continue para que possamos ter uma proteção populacional que nos tire da situação em que estamos hoje”, diz.

Quanto à campanha de vacinação, milhares de pessoas já receberam a primeira dose, no Estado de São Paulo, mas é necessário intensificar a velocidade de vacinação diária. Menezes aponta que “o Brasil, através do Programa Nacional de Imunização, e o Estado de São Paulo têm capacidade e estão preparados para vacinar de forma muito mais rápida. A questão é ter os insumos necessários para fabricar mais doses”.

O processo de importação da matéria-prima para as vacinas não abre espaço para um cronograma preciso de vacinação ou para que se fixe uma perspectiva de data de início da vacinação dos idosos. Assim, é necessário que se mantenham as medidas restritivas para evitar mais internações, óbitos e enfrentar a gravidade do problema vivido, no momento.

Paulo Rossi Menezes encerra, ressaltando a importância da colaboração de todos e diz que “indicar medidas restritivas não é agradável. Sabemos que têm um impacto muito grande na vida das pessoas, na economia de muitos setores. Então, se todos colaborarem, nós vamos conseguir mais uma vez controlar a transmissão e poder retomar as atividade suspensas progressivamente”.

Fonte: Jornal da USP

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