Já ouviu falar na “doença da urina preta” ou Doença de Haff ?

[Teresina] –  A doença de Haff ganhou destaque nos últimos dias  após circular nas redes sociais a notícia de duas irmãs internadas na UTI após o consumo de peixe .

E o que é a Doença de Haff ?

Ainda no ano de 1924 a doença foi descoberta a partir do surgimento dos primeiros casos, todos eles relacionado ao consumo de diferentes peixes de água doce. A doença foi reportada  nos Estados Unidos , China , Prússia e Suécia.

No Brasil, os primeiros casos surgiram há 13 anos quando um surto de 27 casos permaneceu por 4 meses no estado do Amazonas. Como no surto de Salvador, na Amazônia, o mesmo padrão de agregados dos casos em núcleos familiares foi observado.

A doença de Haff é uma patologia rara e recebeu o nome de “doença da urina preta” devido a cor da urina se assemelhar a de café na vigência da intoxicação alimentar . Os sintomas são: rabdomiólise , rigidez muscular extrema seguida de dor muscular difusa , dor torácica ,  desconforto respiratório , dormência e perda de força em todo o corpo de início súbito.

Todas essas alterações decorrem da elevação exacerbada do níveis séricos de creatinofosfoquinase (CPK), uma enzima do corpo humano que está presente nos músculos e em outros lugares do corpo, como o cérebro, o pulmão ou o coração. Logo , com o processo de rabdomiólise ( morte das fibras musculares) várias substâncias são liberadas na corrente sanguínea sobrecarregando a função renal e impedindo que a remoção desses resíduos seja realizada deixando a urina mais concentrada .

É uma condição clínica grave e potencialmente letal se não tratada em tempo hábil , pois pode cursar com falência de múltiplos órgãos .

O diagnóstico é clínico a partir da coleta da  história epidemiológica (ingestão de peixe ou crustáceos nas últimas 24 horas) e níveis séricos elevados de CPK  e mioglobina que são marcadores de necrose muscular.

O tratamento inclui internação , terapia de hidratação venosa prolongada (por 48 até 72 horas ) e monitoramento das funções : renal e hepática . Não deve ser usado anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico (AAS) .

Fonte: Ascom| Foto: Freepik

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