Mutação do coronavírus exige maior adesão ao isolamento social e ao uso de máscaras

[São Paulo] – O Brasil documentou recentemente a primeira morte por recorrência da covid-19 no País. A reinfecção preocupa cientistas e pesquisadores, que também estão atentos ao surgimento de novas variantes. O Jornal da USP no Ar 1ª Edição conversou com Max Igor Banks, infectologista responsável pelo Laboratório de Reinfecção do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). De acordo com Banks, o número de variantes vem aumentando desde o começo da pandemia, mas isso é um processo que acontece naturalmente com o vírus. “O que mudou de novembro para cá é que apareceram algumas variantes com características diferentes, elas têm uma capacidade maior de transmissão”, afirma.

No Brasil, há duas variantes que preocupam: a P1, também conhecida como variante de Manaus, e a P2, identificada no Rio de Janeiro. Em ambos os casos é possível relacionar a mutação com uma capacidade maior de infecção. “Isso aparece num momento em que houve cansaço em relação às medidas de contenção e controle, principalmente nos feriados”, comenta Banks.

O infectologista menciona a imunidade coletiva, em que as pessoas imunizadas deixam de transmitir o vírus. Entretanto, comenta que os vírus respiratórios têm outro modelo de infecção, com mutações mais frequentes, o que dificulta a imunização coletiva.

As pessoas que já se infectaram não estão completamente imunes e correm risco de reinfecção. Além disso, podem contribuir para a disseminação do vírus. Por isso, Banks ressalta a importância das medidas restritivas. “Os casos que vão internar daqui a dez dias estão sendo transmitidos hoje.” É importante que qualquer pessoa com sintomas adote o isolamento imediatamente. Com as mutações e a maior transmissibilidade do vírus, a margem de erro é muito menor.

Fonte: Jornal da USP

Comments are closed.