Cientistas identificam 290 variantes genéticas ligadas à menopausa

A maioria das mulheres entra na menopausa entre 45 e 50 anos. O fim da capacidade reprodutiva também aumenta o risco de surgimento de complicações como o diabetes e a osteoporose. Dessa forma, conseguir identificar com mais precisão quando começa esse ciclo pode ajudar mulheres a planejar melhor etapas da vida, como quando engravidar ou dar início à prevenção de doenças específicas.

Um grupo internacional de cientistas identificou 290 variantes genéticas que podem ajudar nessas empreitadas, além de abrir a possibilidade de desenvolvimento de terapias que prolonguem o período fértil.

O trabalho, detalhado na edição desta semana da revista Nature, envolveu 300 cientistas, de 21 países, que analisaram dados genéticos de 201.323 mulheres, de ascendência europeia, que entraram na menopausa natural entre 40 e 60 anos. O exame de cerca de 13,1 milhões de variantes genéticas levou à identificação de 290 determinantes do envelhecimento ovariano associados à menopausa tardia. Esses genes estão ligados a resposta a danos no DNA, operando ao longo da vida de uma mulher para controlar a função ovariana.

Dois deles, o Chek1 e o Chek2, foram manipulados em ratos. Com a intervenção experimental, a fertilidade das cobaias foi estendida. Ao silenciar o Chek2 — para fazê-lo parar de funcionar ou para potencializar o chek1 —, houve aumento de 25% no tempo de vida reprodutiva das cobaias, com maior número de ovos nos roedores.

Novos tratamentos

Embora muitos influenciadores da extensão da idade reprodutiva, incluindo fatores não genéticos, permaneçam desconhecidos, os autores acreditam que os resultados obtidos podem basear futuras pesquisas de tratamentos para melhorar a função reprodutiva feminina, estendê-la e preservar a fertilidade.

“Ao descobrir muitas causas genéticas da variabilidade do início da menopausa, mostramos que podemos começar a prever quais mulheres podem ter menopausa precoce e, portanto, lutar para engravidar naturalmente. E já que nascemos com essas variações genéticas, poderíamos oferecer esse conselho às mulheres jovens”, detalha, em comunicado, Katherine Ruth, da Universidade de Exeter e coautora do estudo, liderado por John Perry, da Universidade de Cambridge.

Outra contribuição do trabalho apontada pela equipe é a possibilidade de intervenções que preservem outras facetas do bem-estar das mulheres. As análises genéticas também sugeriram uma relação causal entre menopausa tardia e melhora da saúde óssea, bem como uma probabilidade reduzida de desenvolvimento do diabetes tipo 2. O fim tardio da idade reprodutiva também foi associado a um risco aumentado de cânceres sensíveis aos hormônios, como os de mama.

“Ao descobrir tantas causas genéticas da variabilidade do início da menopausa, mostramos que podemos começar a prever quais mulheres podem ter menopausa precoce e, portanto, lutar para engravidar naturalmente”
Katherine Ruth, pesquisadora da Universidade de Exeter

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