HCFMUSP inicia testagem da fase 3 de vacina contra o novo coronavírus

[São Paulo] – A médica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), Dra. Stefania Teixeira Porto, 27 anos, é a primeira voluntária a receber dose de vacina contra o novo coronavírus, que está sendo testada em estudo clínico ao longo dos próximos 90 dias. Esse estudo resulta de parceria entre o Instituto Butantã e o laboratório farmacêutico privado chinês SinoVac Biotech.

No HCFMUSP, participam 890 voluntários – todos profissionais de saúde que atuam na linha de frente do tratamento de pacientes com COVID-19. A escolha dos voluntários considerou aqueles que tratam diretamente dos doentes, pois o risco de exposição ao vírus é maior e há necessidade de rápida proteção.

Esta é a fase 3 da vacina – a primeira realizada no Brasil. Duas fases anteriores, com menor número de voluntários, foram consideradas bem sucedidas dentro dos protocolos médicos internacionais. No Brasil, é o Hospital das Clínicas da FMUSP que coordena o estudo em andamento em 12 centros de pesquisa de cinco estados e do Distrito Federal.

Em São Paulo, o Instituto de Infectologia Emílio Ribas; o Hospital Israelita Albert Einstein; a Universidade Municipal de São Caetano, no Grande ABC; Hospital das Clínicas da Unicamp, em Campinas; Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto.

O teste com vacina está sendo realizado também na Universidade Federal de Minas Gerias, em Belo Horizonte; Fiocruz, no Rio de Janeiro, Universidade Nacional de Brasília, Universidade Federal do Paraná, em Curitiba e na PUC – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. No total, serão 9.000 voluntários profissionais de saúde que cuidam de pacientes com COVID-19.

A cerimônia, que deu início à fase 3 da vacina, foi realizada, na terça-feira (21 de julho de 2020), no prédio do CeAC – Centro de Atenção ao Colaborador, no Complexo HCFMUSP com a presença do Governador do Estado de São Paulo, João Dória, que destacou: “Hoje é um dia histórico”.

Estiveram presentes o Diretor da FMUSP e Presidente do Conselho Deliberativo do HCFMUSP, Prof. Dr. Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho; a Diretora Clínica do HCFMUSP, Profa. Dra. Eloisa Silva Dutra de Oliveira Bonfa; o Superintendente do HCFMUSP, Engº. Antonio José Rodrigues Pereira; o Coordenador do Centro de Pesquisas Clínicas do Instituto Central do HCFMUSP e Titular de Moléstias Infecciosas e Parasitarias, Prof. Dr. Esper Georges Kallas; e o Diretor do Instituto Butantã, Prof. Dr. Dimas Covas.

O Prof. Dr. Esper Kallas destacou a experiência do Hospital das Clínicas em estudos clínicos do porte da vacina contra o novo coronavírus. “O HCFMUSP é o principal centro de atendimento aos pacientes graves com COVID-19 e com ampla experiência em protocolos de pesquisa” – lembrou.

Ao longo da última semana, voluntários serão vacinados com duas doses em intervalos de duas semanas, sempre sob acompanhamento de especialistas. A previsão de conclusão dessa fase 3 é de 90 dias. Se tudo correr bem, a vacina poderá ser produzida nos primeiros meses do próximo ano. Algumas adaptações serão necessárias nas unidades de produção do Instituto Butantã para atingir a capacidade de até 100 milhões de doses da vacina.

Palavra do Prof. Dr. Tarcisio de Barros Filho

“O Hospital das Clínicas tem 75 anos de vida e está umbilicalmente ligado à Faculdade de Medicina da USP. Seus princípios de atuação sempre foram a Assistência, Ensino e Pesquisa – os pilares de nossas atividades. Na Assistência, nós demos exemplo de solidariedade e competência no momento em que desmobilizamos um Instituto inteiro (o ICHC) e transformamos para dispor de 800 leitos para atender exclusivamente COVID-19 e isso se mostrou iniciativa muito apropriada e com resultados muito bons. Uma colaboração a São Paulo e ao Estado. Estamos de portas abertas para essa etapa de pesquisa que terá repercussão fundamental para a saúde do brasileiro” – afirmou o Presidente do Conselho Deliberativo do HCFMUSP e Diretor da FMUSP, Prof. Dr. Tarcisio Eloy Pessoa de Barros Filho.

O que se exigiu dos voluntários

A condição para participação no estudo é a de o voluntário não ter sofrido infecção pelo novo coronavírus e não ter participado de outros estudos. Mulheres não podem estar grávidas ou planejando gravidez para os próximos 120 dias.

Além disso, não podem estar com doenças instáveis ou que precisem de medicações que provoquem alteração na resposta imune.Os participantes do estudo clínico devem ficar por um ano sob acompanhamento de equipe multidisciplinar no HCFMUSP.

Metade dos recrutados receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, uma substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito.

Haverá monitoramento pelos centros de pesquisa por meio de exames entre aqueles que tiverem sintomas compatíveis à COVID-19. Dessa forma, poderá ser verificado posteriormente se quem tomou a vacina ficou de fato protegido em comparação a quem tomou o placebo.

                          Foto: Sergio Kayano Cota /NCI

                            Foto: Sergio Kayano Cota /NCI

 

Fonte: HCFMUSP 

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