O que é politraumatismo, causa de morte da cantora Marília Mendonça

Ícone da música sertaneja, a cantora Marília Mendonça morreu em 5 de novembro de 2021, na cidade de Caratinga, em um trágico acidente de avião que comoveu o país. A causa de sua morte, bem como a dos outros quatro passageiros da aeronave, foi politraumatismo, confirmou a Polícia Civil de Minas Gerais.

A tragédia matou também o produtor Henrique Ribeiro e o tio de Marília, Abicieli Silveira, além do piloto Geraldo Martins e o copiloto Tarciso Pessoa. A causa das mortes foi divulgada pelo médico-legista Thales Bittencourt, segundo a Agência Brasil. “Todos os exames relacionados ao exame dos tecidos vieram negativos e confirmaram as lesões traumáticas”, disse o especialista.

O que é politraumatismo?

Quando alguém sofre um traumatismo significa que a pessoa teve uma lesão no corpo causada por uma força externa de natureza física (choque) ou química (queimaduras), segundo o manual AbcMed. Já no caso de um politraumatismo, a vítima sofreu “múltiplas lesões traumáticas de diversas naturezas, as quais podem comprometer diversos órgãos e sistemas”.

 

Fotografia do avião onde estava a cantora Marília Mendonça, que morreu de politraumatismo  (Foto: Wikimedia Commons )
Fotografia do avião onde estava a cantora Marília Mendonça, que morreu de politraumatismo (Foto: Wikimedia Commons )

 

Para que a situação seja de fato considerada um politraumatismo, o paciente deve ter sofrido especificamente duas ou mais lesões graves em pelo menos duas áreas do corpo. Ou ainda em apenas uma única área do corpo.

Nesses quadros, muito associados a acidentes com veículos motorizados, é comum que haja várias fraturas em ossos, lesões cerebrais e medulares, perda de membros, hemorragias e até cegueira ou perda auditiva. Pode haver tanto lesões visíveis quanto internas e de difícil percepção.

Diagnóstico 

Os primeiros socorros ocorrem antes da chegada no hospital, quando é observado o estado geral do paciente, a pulsação, a respiração, a coloração da pele, o estado de consciência, capacidade de movimentação, sinais de dor etc. Então na instituição hospitalar a pessoa passa por uma radiografia de coluna cervical, tórax e pelve para identificar as lesões que possam apresentar risco de vida.

Também são realizados raio-x dos membros para verificar fraturas. Outros exames são necessários conforme o quadro clínico da vítima. Então, os médicos priorizam os traumatismos que expõem mais o indivíduo a um risco de vida. Eles costumam dar atenção às vias aéreas primeiro e, em seguida, avaliam lesões intratorácicas, entubando o paciente caso necessário.

É comum vítimas fatais nesses casos?

Sim, a maioria dos casos de politraumatismo são fatais. Porém, existem certas causas específicas por trás da maior parte desses óbitos, sendo uma delas a lesão cerebral.  Segundo uma revisão de trinta estudos publicada em 2020 por médicos do University Medical Centre Utrecht, na Holanda, a contribuição das lesões cerebrais nessas mortes,  inclusive, aumentou ao longo dos anos.

Por outro lado, o papel da sepse, da falência de múltiplos órgãos, assim como da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (acúmulo de fluido pulmonar), apresentou queda na contribuição para óbitos de politraumatizados nas últimas décadas.

Considerando mais de 82,2 mil pacientes com politraumatismo, a taxa geral de mortalidade diminuiu 1,8% desde 1966. À essa tímida melhora, os médicos atribuem muitos fatores. “Estratégias e legislações preventivas, como o uso obrigatório de cintos de segurança, bem como avanços nas ferramentas diagnósticas, protocolos de reanimação e procedimentos perioperatórios e cirúrgicos têm desempenhado um papel importante”, escreveram os especialistas, no estudo.

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